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Países como Argentina e Itália ganharam espaço nas exportações do Estado em um ano
Em meio à polêmica do tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, a economia de Mato Grosso do Sul não deve sentir um impacto tão forte.
Isso porque o país norte-americano representa apenas 5,97% das exportações de produtos sul-mato-grossenses, conforme aponta o relatório Comex de junho de 2025, elaborado pela Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de MS).
Esse é o percentual verificado no primeiro semestre de 2025.
Então, o relatório mostra que, de um total de 5,2 bilhões de dólares exportados no período, cerca de 315 milhões foram para os EUA. Assim, o país de Trump figura como segundo maior comprador de MS.
No entanto, os norte-americanos estão muito atrás da China, que comprou 2,4 bilhões de dólares do Estado no primeiro semestre do ano, representando 47% das vendas de produtos sul-mato-grossenses.
Apesar de ser o segundo maior parceiro comercial de MS, os Estados Unidos viram outros players ganharem espaço no mercado sul-mato-grossense.
Países como Argentina, Itália e Uruguai são exemplos em que a participação nas exportações cresceu. O primeiro deles, comandado por Javier Milei, apresentou crescimento de 62,49% nas compras em MS e já adquiriu 216 bilhões de dólares, o que representa 4,11%, pouco abaixo dos EUA.
Já a Itália é o quarto maior parceiro de MS e viu sua porcentagem de compras de produtos pantaneiros subir de 2,5% para 3,91%, de junho do ano passado para o mesmo período de 2025. Agora, nós vendemos 206 bilhões para o país europeu.
Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul viu sua economia sofrer uma verdadeira transformação, com a ‘substituição’ das pastagens pela silvicultura para produção de celulose.
Hoje, a celulose é o principal produto exportado pelo Estado e responde por 32,68% das vendas sul-mato-grossenses, com valor total de 1,7 bilhão de dólares no primeiro semestre do ano. O crescimento é de impressionantes 65,2% em relação ao ano anterior.
Apesar do ‘auê’ gerado pelo tarifaço de Trump, nosso principal ativo está ‘blindado’, uma vez que os norte-americanos não aparecem no top 3 compradores de celulose.
Conforme o SinpaceMS (Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Estado de Mato Grosso do Sul), o principal comprador de celulose é a China, com 1,607 milhão de toneladas este ano, o que representa 53,5% do volume e 55,9% da receita.
Depois, aparecem países europeus como Itália, com 9,90% da receita, e a Holanda, com 5,74%.
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Em carta postada nas redes sociais e direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump diz que as tarifas passam a valer em 1º de agosto.
No documento, Trump justifica a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O mandatário norte-americano destacou ainda ordens emitidas pela Corte contra apoiadores de Bolsonaro que mantêm residência nos Estados Unidos.
Em resposta, Lula afirmou que o tarifaço será respondido com a Lei de Reciprocidade Econômica. Também via redes sociais, o presidente defendeu a soberania brasileira e disse que é falsa a alegação de Trump de que a taxação seria aplicada em razão de déficit na balança comercial com o Brasil.
“Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da lei brasileira de reciprocidade econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo”, afirmou Lula.
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