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O lucro líquido no quarto trimestre de 2025 da M. Dias Branco (MDIA3) foi 10,5% inferior que o registrado no mesmo período no ano anterior, em 2024, um montante de R$ 157,9 milhões. O mercado reagiu na mesma medida e, quase de imediato, a ação da empresa despencou mais de 10%.
Por volta do meio dia desta sexta-feira (27), a ação recuava 10,32%. Logo após a abertura, o papel bateu a mínima do dia, com uma queda de 13,88%, sendo negociada a R$ 22,53.
Para a XP Investimentos, o desempenho das ações reflete a queda sequencial de margem bruta da companhia, combinada com o Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) e o lucro final abaixo das expectativas — e a queda deve continuar nos próximos dias.
Viva do lucro de grandes empresas De acordo com os analistas, a pressão sobre a margem bruta se deu devido à redução menor do que a esperada nos custos de matérias-primas. Com os preços acima do esperado, a margem bruta se comprimiu 78 bps (pontos-base) ao trimestre, 285 bps abaixo da estimativa da XP. Para o Bradesco BBI, a recomposição do equilíbrio entre volumes, preços e margens ainda é o principal desafio da companhia.
O Ebitda ajustado ficou em R$ 272 milhões, -16% em relação ao trimestre anterior e 14% abaixo da estimativa da BBI, com a margem Ebitda ajustada caindo para 10% (-160 bps em relação ao trimestre anterior; -190 bps em relação à BBIe). O valor ficou 3,8 ponto percentual (pp) abaixo da média dos últimos 17 anos, sob efeito dos custos variáveis mais elevados e por despesas operacionais com forte componente fixo. Segundo os analistas, essas despesas só serão capturadas com maior alavancagem de volumes.
Ao mesmo tempo, os níveis de market share em biscoitos e massas permanecem próximos das mínimas recentes. Para o banco, isso sinaliza que o processo de recuperação poderá ser lento.
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Para a XP, as despesas de vendas continuam sendo uma linha volátil. O balanço final das despesas ficou 8% acima da XPe, enquanto G&A (despesas gerais e administrativas) foi 19% acima da projeção da casa. De acordo com os analistas, essa movimentação explica quase integralmente a surpresa negativa no Ebitda e possivelmente justifica parte do desempenho mais forte na receita.
A participação de mercado apresentou uma melhora no quarto trimestre, de 31,8%, mas o aumento coincidiu com um período de queda nos preços. Para o BBI, a companhia tem demonstrado uma relação desfavorável entre preços e margens. Para ilustrar, a margem bruta da M. Dias Branco atingiu o pico no segundo trimestre em 2025, com 33,4%. Na época, a participação de mercado estava em seu ponto mais baixo. Logo na sequência, a margem caiu para 31,6% no quarto trimestre, quando a participação de mercado atingiu o pico, apesar de um cenário de custos mais favorável.
A receita líquida ficou 7% acima da expectativa da XP, em R$ 2,7 bilhões, um aumento de 9% na comparação ao ano e uma queda de 2% no trimestre. De acordo com os analistas, os resultados dão sinais subjacentes positivos. Apesar dos preços estáveis, a companhia expandiu volumes em 10% ao ano, 7% acima da expectativa da XP.
Para o BBI, com os custos ainda favoráveis para 2026, há espaço para algum alívio, ainda que a trajetória de normalização seja incerta. Segundo os analistas, esse movimento ainda pode vir acompanhada de revisões negativas de lucro no curto prazo.
Tendências de melhoria
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