Publicado
10 meses atrásem

Por: Prof. Esp. Leonardo Pescinelli Martins
11/07/2025
A recente tentativa de cassação da vereadora Isa Jane Marcondes, em sessão da Câmara Municipal de Dourados, escancarou não apenas uma distorção jurídica, mas também um desvio ético e institucional. O episódio revelou a disposição de certos membros do Legislativo local em punir quem cumpre sua função — fiscalizar — enquanto se eximem das próprias atribuições parlamentares.
A acusação partiu de um médico, incomodado com a presença da vereadora em uma unidade de saúde, local onde ela exercia seu legítimo dever de fiscalização. O alegado “abuso de autoridade” nada mais foi do que uma tentativa grosseira de silenciar uma voz incômoda, que ousa exigir o mínimo: cumprimento de horários e atendimento digno à população.
Com exceção de Isa, Jânio, Franklin e Dill do Povo, o restante da bancada parece interpretar o mandato como um cargo meramente cerimonial. Projetos? Raros. Fiscalizações? Mitológicas. No entanto, quando surge alguém que decide trabalhar, o Legislativo, em um esforço coletivo de desfaçatez, age não para respaldar, mas para punir.
Enquanto isso, tramitam pautas irrelevantes, com visível desvio de finalidade e até ilegalidades: homenagens religiosas contrárias ao princípio constitucional da laicidade, moções baseadas em desinformação, e propostas que mais se assemelham a roteiros de novelas do que a políticas públicas. O respeito à neutralidade, à imparcialidade e à legalidade, por vezes, é tratado como opcional.
A Constituição Federal, em seu artigo 31, é cristalina ao dispor que “a fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal”. O artigo 29, inciso XI, assegura aos vereadores a inviolabilidade por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato.
A Lei Orgânica do Município de Dourados, em seu artigo 29, inciso X, confere à Câmara o controle externo da administração pública municipal. Já o artigo 30, inciso III, atribui aos vereadores o dever de fiscalizar os atos do Executivo e das repartições públicas.
O Regimento Interno da Câmara Municipal, por sua vez, é igualmente inequívoco:
Art. 72, inciso III — trata da fiscalização e controle dos atos do Poder Executivo.
Art. 73 — autoriza visitas e inspeções pelos parlamentares em unidades públicas.
Art. 74 — legitima a requisição de documentos e informações por parte dos vereadores.
Tais dispositivos não são sugestões. São obrigações constitucionais e regimentais. Ignorá-los é legislar pela conveniência — perigosa, arbitrária e oportunista.
Por 13 votos contra 6, prevaleceu o bom senso. O pedido de cassação foi arquivado, e com isso, preservou-se não apenas o mandato da vereadora Isa Jane Marcondes, mas também o direito de fiscalizar e cobrar por serviços públicos de qualidade. Uma Câmara que tenta punir a atuação legítima de seus membros não se fortalece; enfraquece-se institucionalmente.
O arquivamento foi mais que uma deliberação política — foi um gesto de lucidez. Um lembrete de que quem fiscaliza não deve ser silenciado, quem trabalha não deve ser punido, e quem se omite, que ao menos tenha a decência de não atrapalhar.
O Jornal Eita! acredita no Jornalismo comprometido com a verdade dos fatos e com a ética, trazendo sempre os principais fatos de Dourados e região, além dos destaques nacionais e da mídia. E-mail para Contato: eitajornal01@gmail.com Telefone para Contato: (67) 9 8152 - 9853









O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste domingo (26) “repudiar veementemente” o ataque contra o presidente dos Estados...


O presidente Lula passou por um procedimento cirúrgico na manhã desta sexta-feira (24), em São Paulo, para retirada de uma...


Uma audiência pública para debater o PL 27/2024, chamado de PEC da Reparação, de autoria do deputado Damião Feliciano (União/PB),...


O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu nesta sexta-feira (24) a urgência da aprovação de...


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou nesta sexta-feira (24) ato criando a comissão especial para analisar...


Plataformas online de predição tiveram o bloqueio determinado nesta sexta-feira (24) pelo Ministério da Fazenda. Segundo o ministro, Dario Durigan, pelo menos 27 plataformas...

Você precisa estar logado para postar um comentário Entrar