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11 meses atrásem

Enfrentando um luto doloroso pela recente perda da irmã, Maria Júllya viu no desafio uma chance de realizar um sonho em meio à tristeza profunda
É guerra! Em Paranaíba, cidade da costa leste de Mato Grosso do Sul, as escolas da rede municipal de ensino estão mobilizadas por uma arrecadação de materiais recicláveis. Quem juntar o maior peso ganhará uma pulseira para entrar no camarim da cantora Ana Castela, que se apresentará na festa de aniversário do município, no dia 3 de julho.
A iniciativa partiu do prefeito e tem sido absurdamente engajada pelas crianças. Nesta sexta-feira (27), o Jornal Midiamax noticiou que a pequena Anny Gabrielly, de 8 anos, havia arrecadado mais de 830 kg de papelão para ver a boiadeira.
No entanto, ainda durante a manhã, Anny foi superada pela colega de sala Maria Júllya, de 9 anos, que coletou nada menos que 929 kg do mesmo material.
Enfrentando um luto doloroso pela recente perda da irmã de apenas 9 meses, Maria Júllya viu no desafio uma chance de realizar um sonho em meio à tristeza profunda. Leticia Marinho, mãe da pequena, diz que o esforço de toda a família na arrecadação de papelão foi justamente por esse motivo. “Ela está seguindo, mas às vezes chora”, comenta a monitora de creche ao Jornal Midiamax.
Empolgada, a estudante do 4º ano da Escola Municipal Liduvina Motta Camargo celebra a conquista. “Eu tô muito feliz que estou liderando o ranking, se Deus quiser vou conseguir continuar em primeiro até o final e conhecer minha ídola. Amo a Ana Castela, sei todas as músicas, nunca fui a um show dela e tenho muita vontade. Confio que vou vencer e vou batalhar até o fim para conseguir”, afirma Marya Júllya à reportagem.
O desafio termina na próxima segunda-feira, dia 30 de junho, prazo para as crianças concluírem a entrega dos recicláveis. Na ocasião, os montantes serão pesados e um vencedor será definido.
Maria Hellena, irmã da estudante, morreu aos 9 meses de idade no dia 29 de abril deste ano, após receber injeção de um medicamento na Santa Casa de Paranaíba, a 407 quilômetros da capital Campo Grande.
Laudo entregue pelo hospital afirma que a bebê teria falecido de causas naturais, mas a mãe aponta erro médico e luta para que a justiça seja feita. “A minha filha morreu de uma parada cardíaca decorrente de um medicamento que eles aplicaram nela”, declarou Leticia ao Jornal Midiamax, em maio deste ano.
No dia 9 do mesmo mês, o corpo de Maria Hellena foi exumado pela equipe da perícia criminal, com a presença de médico-legista e outros servidores públicos, além de familiares. Na ocasião, a equipe coletou material dos restos mortais e enviou as amostras para o Ialf (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), ligado à Coordenadoria-Geral de Perícias da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de MS.
Dois exames estão em andamento: o anatomopatológico, para identificar doenças, e o toxicológico, que ajuda a encontrar substâncias tóxicas no corpo. A previsão era de que os resultados saíssem em 40 dias, mas, conforme Leticia, o prazo não foi cumprido. “Era pra ter chegado essa semana”, relata ao MidiaMAIS.
Desde a morte da caçula, a família está abalada. Mãe e irmã seguem inconsoláveis e, em meio ao luto, encontraram na arrecadação de papelão uma oportunidade de Maria Júllya realizar o sonho de conhecer Ana Castela. Mas o jogo ainda não está ganho.
Em poucos dias, a arrecadação tem mobilizado e tirado o sono dos estudantes da rede municipal de Paranaíba. Nas redes sociais, responsáveis relatam que suas crianças estão focadas no desafio e chegam a chorar quando veem que um coleguinha juntou mais papel.
“Isso tá dando o que falar, minha irmãzinha não está nem dormindo direito, quer ficar pegando caixa toda hora… E outra coisa, se preparem, porque vai virar um chororô das que não ganharem”, “A minha virou um choro hoje porque na escola dela foram com uma carretinha”, expressaram algumas paranaibanas.
Outras dizem que “essas competições fazem muitas crianças sofrerem!”, “O correto era a cantora receber todas as crianças, a que ganhou e as que não ganharam, pra ficar justo para todos”. “Também penso assim, porque tem criança que fica até doente com isso. Recebi um vídeo da minha mãe com minha irmã já vomitando, ela passa mal se andar muito de carro e por causa dessas caixas está assim”, relataram moradoras da cidade.
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