Por: Rozembergue Marques da Silva
13/09/2025
No dia 5 de junho, quando se celebra o “Dia Mundial do Meio Ambiente”, Dourados não teve muito a comemorar. Em datas comemorativas como essa, os debates sobre a preservação do ecossistema costumam ganhar espaço. Uma das situações que tem sido o centro de várias discussões está relacionada à degradação dos oito córregos que cortam o perímetro urbano do município, notadamente pelo despejo de esgotos.
Castigados pela ação do homem, os córregos Laranja Doce e Da Lagoa — que deságuam no Rio Brilhante — e os córregos Água Boa, Rego D‘Água, Paragem, Chico Viegas, Engano e Olho D’Água — que deságuam no Rio Dourados — correm o risco de desaparecer em virtude da falta de ações concretas para a recuperação de suas nascentes e margens. Entre os principais agravantes identificados estão a ausência de matas ciliares e a poluição provocada pelo despejo de lixo, invasões e esgoto doméstico.
Para o ambientalista Luiz Carlos Ribeiro, que há anos atua na preservação dos córregos urbanos da cidade, nem mesmo todo o aparato montado anualmente em nível nacional para a Semana do Meio Ambiente tem sido capaz de esconder a falta de políticas públicas eficientes sobre o tema. Ribeiro foi um dos responsáveis pela criação dos projetos dos parques ecológicos dos córregos Rego D’Água, Laranja Doce e Paragem. No entanto, apenas o parque do Rego D’Água saiu do papel e está sendo executado com recursos federais e municipais.
O ambientalista cita a situação do córrego Rego D’Água. Segundo ele, apesar da construção do Parque Ambiental do Rego D’Água, na região do BNH 4º Plano e Vila Cachoeirinha, grande parte do córrego continua sendo degradada e recebendo esgoto clandestino.
“O projeto do parque é muito bonito. O problema é que compreende apenas um terço do córrego. Grande parte do Rego D’Água não tem recebido nenhum tipo de proteção”, comentou Ribeiro.
Outros córregos que têm sido motivo de preocupação para os ambientalistas são o Laranja Hay e o Paragem. O Laranja Hay, localizado na região do distrito de Vila São Pedro, durante muitos anos recebeu todos os dejetos da Phac (Penitenciária Harry Amorim Costa). Após intervenção do MPE (Ministério Público Estadual), foi instalado um sistema de esgoto para filtrar os dejetos depositados no córrego.
Já no córrego Paragem, cuja nascente está no Parque Arnulfo Fioravanti, as ocupações irregulares e a poluição têm sido uma grande ameaça. Também chama atenção a situação dos córregos Jaguapiru, localizado nas proximidades da Reserva Indígena de Dourados, e Lagoa, na região do Jardim Pantanal. Ambos têm sofrido com a destruição das matas ciliares e com ocupações irregulares, fatores que contribuem para a diminuição do volume de água.
No Papel
Pouco ou nada se vê em relação ao Instituto Municipal de Meio Ambiente. Como o papel aceita tudo, ficou apenas a formalização da criação do Comitê do Meio Ambiente, composto por universidades, escolas, ONGs e igrejas, com o objetivo de recuperar os córregos Paragem, Rego D’Água, Laranja Doce e Água Boa.
A ideia era recuperar as nascentes por meio de ações diversas, que seriam definidas por um subcomitê específico para o meio ambiente. Entre as propostas que deveriam ser executadas pelo comitê estavam: desapropriação e remoção de famílias em áreas de risco, ampliação da rede de esgoto, fornecimento de água encanada, coleta de lixo, reciclagem e inventários zoobotânicos da região.
Sempre no rodapé das políticas públicas — e com medidas importantes, como a união da sociedade civil em um comitê de defesa, engavetadas — os córregos e matas da cidade pedem socorro e clamam:
Tira o Pé do Chão IMAM!
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