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Após o Ibovespa atingir máximas na última semana, com o índice fechando acima dos 141 mil pontos pela primeira vez na última sexta-feira (4), a sessão desta segunda-feira (7) é de forte cautela para o mercado.
O motivo? A volta ao radar dos mercados dos temores sobre as tarifas de Donald Trump, após três meses de relativa calmaria com a suspensão temporária de taxas mais altas pelo presidente dos EUA para negociação.
No início da tarde, o Ibovespa caía cerca de 0,8%, ameaçando perder os 140 mil pontos, enquanto o dólar avançava 0,75%, a R$ 5,46 (após chegar a mínimas em mais de um ano na semana passada). A aversão a risco também é sentida nos mercados americanos, com as bolsas em Wall Street em baixa entre 0,6% e 0,8%. Saiba em 1 minuto quanto seu dinheiro pode render
Posteriormente, por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa acentuou as perdas para além de 1%: às 14h, a queda era de 1,29%, a 139.449 pontos. Isso após o anúncio dos EUA de que vão impor tarifas gerais de 25% sobre as importações do Japão e da Coreia do Sul a partir de 1º de agosto, gerando ainda mais temor no mercado e fazendo Wall Street acelerar as perdas. Já o dólar passou a subir mais de 1% ante o real.
Além disso, desde ontem, para o Brasil, mais um fator gerou cautela no mercado. Na noite de domingo o republicano ameaçou os países ligados ao Brics com uma tarifa adicional de importação de 10%. A ameaça de Trump ocorreu durante a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que termina nesta segunda-feira. Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, se uniram ao bloco como membros permanentes o Irã a Arábia Saudita, o Egito, a Etiópia e o Emirados Árabes Unidos. O presidente Donald Trump afirmou também no domingo que os Estados Unidos estão perto de finalizar vários acordos comerciais nos próximos dias e notificarão outros países sobre as tarifas mais altas até 9 de julho, que entrarão em vigor em 1º de agosto.
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Os EUA somente negociaram de forma definitiva com Inglaterra e Vietnã e de forma provisória com a China. Trump disse que deve enviar de 12 a 15 cartas até quarta-feira para quem não se manifestou.
Segundo Felipe Sant’ Anna, especialista em mercado financeiro do grupo Axia, os mercados estão digerindo essa possível tarifa extra de 10% para o Brasil, principalmente porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sugerir moeda comum do Brics. “Acredito que houve um certo desconforto com relação às declarações do Trump em relação às tarifas para o Brics. Isso gera uma certa incerteza para o Brasil, como há também expectativa de o presidente americano anunciar acordos tarifários ainda hoje”, diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.
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De acordo com a analista sênior Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote Bank, nunca se pode ter certeza de que o que é dito agora ainda será verdade daqui a um minuto.
“E não se pode contar que as tarifas anunciadas nas próximas horas permaneçam inalteradas por mais de um dia. Essa é a realidade — e as manchetes mais recentes não apontam para um caminho tranquilo”, apontou em relatório a clientes. Ozkardeskaya também destacou a ameaça de Trump de uma tarifa adicional de 10% aos países que se alinharem ao que o presidente norte-americano chamou de “políticas antiamericanas” do grupo Brics.
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“O drama comercial provavelmente não desaparecerá tão cedo. Essa incerteza continuará obscurecendo a visibilidade”, afirmou.
O BB Investimentos apontou que o Ibovespa encerrou o primeiro semestre em alta, consolidando um canal que se iniciou em janeiro, aos 118 mil pontos, firmando-se nas últimas semanas na máxima histórica nominal, ao redor dos 140 mil pontos. “No gráfico semanal, as médias móveis de curto e curtíssimo prazo (do Ibovespa) estão próximas a cruzarem para baixo, sinalizando uma possível realização dentro da tendência”, acrescentam em relatório a clientes.
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Eles destacaram, contudo, que a força do movimento e o respaldo positivo dos indicadores técnicos MACD (Moving Average Convergence Divergence) e IFR (Índice de Força Relativa) sinalizam que ainda há espaço para o Ibovespa seguir subindo.
(com Reuters e Estadão Conteúdo)
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