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O papel terapêutico dos bebês reborn e a intolerância social: uma questão humanitária

Para mulheres que enfrentam a infertilidade e idosos com doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, esses bonecos hiper-realistas representam uma forma de alívio emocional e bem-estar

Publicado

em

Por: Prof. Esp. Leonardo Pescinelli Martins

10/06/2025

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Em tempos de extremos, onde o ódio e a violência têm se manifestado até em debates sobre saúde mental, o uso de bebês reborn como ferramenta terapêutica se tornou alvo de críticas implacáveis. Essa forma de rejeição, muitas vezes pautada na ignorância e no preconceito, ignora o impacto positivo que essa prática pode ter na vida de pessoas que enfrentam desafios emocionais profundos.

A infertilidade afeta milhões de pessoas em todo o mundo, trazendo impactos psicológicos devastadores. Segundo estudos médicos, estima-se que cerca de 15% dos casais tenham dificuldades para conceber. As causas variam: mulheres podem enfrentar questões como síndrome dos ovários policísticos, endometriose ou falência ovariana precoce; homens podem sofrer de baixa contagem de espermatozoides ou disfunções hormonais. Independentemente da origem, a incapacidade de ter filhos pode levar a quadros de depressão, ansiedade e até isolamento social.

A fertilização in vitro, uma alternativa para alguns desses casos, tem custos elevados e não está amplamente acessível à população brasileira, que depende do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante da ausência de suporte adequado, muitas mulheres encontram nos bebês reborn uma forma de aliviar o sofrimento emocional e canalizar a maternidade frustrada de forma terapêutica.

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Além de mulheres que lidam com a infertilidade, idosos com demência ou Alzheimer também têm se beneficiado do uso desses bonecos hiper-realistas. Estudos mostram que a interação com bebês reborn pode reduzir os níveis de estresse e proporcionar um sentimento de conforto e conexão emocional. O tratamento paliativo não está apenas nos medicamentos, mas em pequenas estratégias capazes de oferecer bem-estar aos pacientes.

Entretanto, em vez de enxergarmos essa alternativa com empatia, cresce uma onda de intolerância e ataques contra aqueles que recorrem a essa prática para aliviar sua dor. Pessoas que fazem uso dos bebês reborn são muitas vezes ridicularizadas, tratadas com desdém, como se sua dor fosse menos legítima do que qualquer outra condição médica. Tal postura ignora o princípio fundamental da saúde pública: a dignidade humana.

O SUS, já sobrecarregado, não tem estrutura para abarcar essa demanda de suporte psicológico de forma integral. Os Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), que prestam apoio às populações vulneráveis, também enfrentam limitações financeiras e de pessoal. Cabe ao poder legislativo, executivo e judiciário considerar esse tema com seriedade e garantir que haja políticas de acolhimento para aqueles que necessitam dessas formas alternativas de terapia.

A sociedade, por sua vez, precisa se despir da intolerância e compreender que saúde mental é uma necessidade legítima. Se um bebê reborn é capaz de trazer conforto a quem sofre, sua existência e uso devem ser respeitados. No fim das contas, não se trata apenas de um boneco, mas da possibilidade de proporcionar alívio para quem enfrenta realidades difíceis e muitas vezes invisibilizadas.

A pergunta que fica é: por que negar empatia a quem só busca conforto?

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