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Em 65 anos de carreira, Nana Caymmi gravou alguns dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, que em sua voz ganharam versões definitivas
Com a morte de Nana Caymmi aos 84 anos, nesta quinta-feira (1.º), vítima de problemas cardíacos, o Brasil perde uma de suas vozes mais marcantes e sofisticadas. Filha do lendário Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Dinahir Tostes Caymmi, artisticamente conhecida como Nana Caymmi, trilhou uma jornada musical rica e singular, deixando sua marca em diversas trilhas sonoras de novelas da TV Globo.
Desde cedo, Nana demonstrou seu talento musical, incentivada pelos pais e iniciando seus estudos de piano clássico. Sua estreia fonográfica aconteceu em 1960, ao lado do pai, com a canção de ninar “Acalanto”, feita especialmente para ela. No mesmo ano, lançou seu primeiro compacto simples.
Após um período vivendo na Venezuela devido ao casamento com o médico Gilberto José Aponte Paoli, com quem teve seus três filhos, Nana retornou ao Brasil e enfrentou um período delicado em sua relação com o pai. Encontrou apoio no irmão Dori Caymmi, que compôs “Saveiros” para que ela interpretasse no I Festival Internacional da Canção, onde, apesar de ter sido anunciada como vencedora, foi vaiada.
A década de 1960 marcou sua união com Gilberto Gil e sua participação no III Festival de Música Popular Brasileira com a canção “Bom Dia”, parceria com o cantor. Gravou também com o grupo Os Mutantes a emblemática “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, além de lançar seus próprios trabalhos.
Ao longo das décadas de 1970 e 1980, Nana consolidou sua carreira com lançamentos regulares que evidenciavam seu repertório refinado e a colaboração de grandes músicos da cena brasileira. Embora tenha emplacado sucessos como “Mãos de Afeto”, “Beijo Partido”, “Contrato de Separação” e “De Volta ao Começo”, e sua voz fosse presença constante em trilhas de novelas, Nana não alcançou a mesma popularidade massiva de outras grandes intérpretes da época.
A virada para o reconhecimento popular veio em 1998, quando o bolero “Resposta ao Tempo”, de Cristovão Bastos e Aldir Blanc, embalou a abertura da minissérie “Hilda Furacão”. A força da canção e da trama conquistaram o público, ampliando significativamente o alcance da voz de Nana Caymmi.
Curiosamente, anos antes, Nana quase teve outra música como tema de abertura de uma novela de grande sucesso. Sua interpretação de “Vem Morena” havia sido escolhida para “Tieta” (1989), mas uma decisão de última hora da direção da emissora trocou a canção por uma música mais “animada”.
Com a carreira em ascensão, Nana realizou um antigo desejo e lançou, em 2000, o álbum “Sangra de Mi Alma”, dedicado aos boleros. A canção “Solamente Una Vez” integrou a trilha Sonora da novela “Laços de Família”, reforçando sua ligação com o universo teledramatúrgico.
Nos anos 2000, Nana dedicou-se a revisitar a obra de seu pai, Dorival Caymmi, em uma série de álbuns temáticos. Seus últimos trabalhos foram dedicados a Tito Madi e à parceria entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
Apesar de ter se afastado dos palcos em 2015, a voz inconfundível de Nana ecoou recentemente na faixa “A Lua e Eu”, lançada em 2024 por Renato Brás, com sua participação especial. Sua última entrevista revelava o desejo de gravar canções do irmão Dori com Nelson Motta e de interpretar Milton Nascimento e Beto Guedes, além de expressar uma certa insatisfação com a escassez de novos compositores que a agradassem. [Com informações da Agência Estado]
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