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Mulheres indígenas de quatro etnias se reuniram neste sábado (29) em Campo Grande para valorização feminina. A dificuldade de artesãs no contexto urbano da Capital está entre os principais apontamentos das participantes.
O Encontro Coletivo de Mulheres Indígenas do contexto urbano de Campo Grande aconteceu no Centro Cultural Octávio Guizzo. Durante todo o dia, mulheres participaram de apresentações culturais, mesas de debate e proposições de ações.
Para a representante do Conami (Conselho Nacional de Mulheres Indígenas), Mirian Terena, o encontro trata da manutenção cultural. “Estamos organizando esse primeiro encontro de mulheres indígenas para tratar dessa questão cultural, saberes tradicionais das mulheres indígenas em contexto urbano”, explicou.
Mirian destacou que o conhecimento é o futuro das comunidades indígenas. “Mesmo morando na Capital nós temos nosso conhecimento, passado de geração em geração, e isso será um grande futuro para nós, nossas crianças, para de fato manter vivo”, afirmou.
Representando o Coletivo de Mulheres Indígenas de Campo Grande – Kaguateca, Silvana Terena, pontuou que o encontro é provocativo e busca ações efetivas. “A grande pauta do encontro é nossa arte e cultura indígena em contexto urbano, a nossa produção está muito grande aqui em Campo Grande. Então a gente precisava provocar o Governo sobre o que nós precisamos, de políticas para o segmento do artesanato e as artistas”, ressaltou.
Assim, lembrou das quatro etnias reunidas no encontro: Terena, Guató, Kadiwéu e Guarani Kaiowá. A expectativa era de 65 mulheres no evento. Porém, as organizadoras foram positivamente surpreendidas.
“Veio muito mais, representando a cultura, educação, juventude, anciãs, todas as mulheres de todos os segmentos fortalecendo nosso segmento do artesanato. A participação de todas as mulheres não indígenas, doutora Tatiana, Márcia Ledesma, estão sempre na luta com a gente, ajudando a empoderar e dar voz a essas mulheres”, disse Silvana.
Presente no evento, a escritora Gleycielli Nonato comentou um pouco sobre a importância das mulheres na etnia Guató . “Nós que somos um povo que já foi considerado extinto. A voz sociopolítica foi das mulheres, mas devido a invasão do Pantanal, a guerra do Paraguai, o gado que nos expulsou de nossas terras, nos acuamos em uma aldeia e tivemos que mudar nossa estratégia”, detalhou.
Portanto, afirmou que tiveram que eleger um cacique homem para novas estratégias. “Mas a nossa voz é da onça-pintada, que é símbolo, rainha pantaneira. Como diz o ditado lá no Pantanal: a onça é a segunda fera pantaneira, porque a primeira é a mulher Guató”, reforçou.
Da etnia Terena, Rute Poquiviqui comentou sobre as dificuldades do contexto urbano para mulheres indígenas. Antes, lembrou que a união auxilia no processo de resistência cultural.
“Essa união é que fortalece o trabalho de todas, porque nós estamos aqui em Campo Grande, no contexto urbano, então todos nossos materiais e tudo fica na aldeia. Então aqui em Campo Grande a gente tem essa dificuldade, se juntando a gente minimiza as dificuldades e alcançar nossos objetivos”, afirmou Rute.
O encontro também serviu para coletar demandas das mulheres e identificar pontos que precisam de apoio. É o que explicou Benilda Kadiwéué ao Jornal Midiamax. “Viemos trazer demandas e colher demandas, porque temos um grupo que faz essa coleta”.
Portanto, destacou que “é o primeiro encontro que a gente está fazendo hoje, com essa reforma, após reforma. Então isso se torna uma ocupação de espaço”. A Cacique Alicinda, da Aldeia Água Bonita na comunidade Nova Lima, ressaltou que as participantes buscam “fortalecer enquanto indígena no contexto urbano”.
Já a Cacique Helena, de comunidade indígena da Vila Planalto, explicou que o encontro é para “luta de espaço, em busca de matéria, para poder fazermos os trabalhos”. Ela afirmou que a matéria “é uma das dificuldades das artesãs e das ceramistas”. Por fim, disse que espera “que a partir desse encontro tenhamos um retorno”.
Participam da organização do evento: Coletivo de Mulheres Indígenas de Campo Grande – Kaguateca, Conami, Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), Fundação da Cultura de MS e Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas.
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