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Dia da Árvore: Um gigante que aninhou uma família
O velho gigante com mais de 200 anos ofereceu ninho ao arquiteto Artur Perez. Ele aceitou. Buscou a família e, com todo respeito à árvore, construi...
21/09/2026 08h57
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS

O velho gigante com mais de 200 anos ofereceu ninho ao arquiteto Artur Perez. Ele aceitou. Buscou a família e, com todo respeito à árvore, construiu sob sua copa, uma nova vida. “Nossa história com essa árvore é um verdadeiro caso de amor. Amor à primeira vista!”, declara.

A árvore foi integrada, de forma harmônica, à casa e à história da família (Foto: Wagner Guimarães)

O imponente jatobá, com galhos que dançam curvas ao céu, tem cerca de 5,3 metros de circunferência e uma copa que cobre grande área. O encontro com o arquiteto foi casual, despretensioso. “Eu procurava um terreno barato para construir uma casa e vender. Encontrei este, onde hoje é a nossa casa, por um preço muito abaixo do mercado e justamente por causa deste enorme jatobá”, conta.

Para os vizinhos, a árvore era um incômodo. Quanto Artur comprou o terreno, acharam que iriam se ver livres dela, que seria finalmente cortada, acabando, assim, com as tantas folhas nos telhados e calçadas. Para surpresa e decepção de todos, o arquiteto colocou os pingos nos is. “Só comprei o terreno por causa da árvore”, foi o que respondeu Artur aos moradores.

O projeto inicial de construir uma casa para vender foi rabiscado e redesenhado pelo jatobá. Ali não seria um imóvel para negócios, mas sim um lar, o mundo novo da família já desencantada com a rotina de apartamento. A casa foi projetada para a convivência harmônica com a árvore gigante. Como bônus, ainda havia na entrada do terreno, como um porteiro natural na definição de Artur, um pé de cedro. Essa segunda árvore, no entanto, não resistiu ao forte temporal deste mês e tombou.

Já o jatobá, idoso para o tempo humano e jovem para sua própria espécie, segue firme em sua longevidade. À época em que se enraizou na vida de Artur e de sua família, a árvore não só redefiniu o plano da casa para venda como também fez o arquiteto comprar o terreno ao lado. Isso porque parte do tronco estava nessa outra área. “Decidimos comprar também esse terreno. Vendemos um carro, fizemos um grande esforço e adquirimos a área”, lembra-se.

O arquiteto conta que morar sob a copa de uma árvore gigante é algo desafiador. “Galhos e frutos caem, às vezes quebram telhas, e recolhemos muitos sacos de folhas”, lista. Mas o cotidiano partilhado com o jatobá também tem a sua poesia. “Vivemos histórias inesquecíveis: um quati perdido entre os galhos, uma colmeia de abelhas e visitas frequentes de araras e tucanos”, ilustra o arquiteto. “Dá trabalho, mas vale a pena. A paz, a sombra, a beleza e a vida que o jatobá nos proporciona compensam tudo”, acrescenta.

O jatobá fez valer sua majestade; e o passado dos olhos de soslaio, desconfiados e malquistos, ficou lá, no passado. A árvore foi reconhecida em sua realeza de Cerrado. “Nosso jatobá participou de concursos, conquistando o primeiro e o segundo lugares”, conta Artur, com orgulho. “E continua firme, forte e majestoso. Há mais de 26 anos, vivemos sob sua sombra, proteção e companhia. Mais do que uma árvore, ele faz parte da nossa família e da história da nossa casa”, finaliza o arquiteto.